Bertúlio: simpatia do térreo ao sétimo andar

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“Térreo. Atenção, não empurre, saída à esquerda”. No comando do elevador, seu Bertúlio instrui os passageiros para que todos cheguem ao seu destino. A maioria deles já entra no elevador e nem precisa falar para qual andar vão: o ascensorista já sabe o destino de praticamente todos os servidores do Alencastro.

 

Antônio Bertúlio da Silva, 44 anos, largado, ninguém quer – brinca ao informar sua idade. Não tem filhos, mas o coração é grande. Além da atenção que presta aos colegas servidores, seu Bertúlio – como é mais conhecido – procura ajudar os contribuintes que não conhecem o Alencastro e acabam se perdendo pelos corredores e elevadores.

 

Uma das curiosidades que ele conta é de uma moça que entrou em trabalho de parto dentro do elevador. Rapidamente, Bertúlio rumou o modal ao térreo e abriu passagem para que a moça pegasse um táxi até o hospital. Uma semana depois, a ela trouxe a criança para que Bertúlio conhecesse a garotinha que resolveu vir ao mundo justamente ao pegar carona no seu elevador.

 

Essa foi uma situação extrema, mas o bom atendimento a todos que precisam do elevador é essencial. Sempre vai além de um “bom dia” e procura conhecer quem sempre passa por ali. Dos rostos novos quer saber o que vieram fazer no Alencastro para oferecer ajuda ou informações úteis. O bom humor e a interação são mais do que um esforço para atender bem: “A gente precisa interagir para evitar o estresse”.

 

E os mal-humorados? “Tem gente que diz que essa não é minha função, mas eu aprendi a ser assim.” Nem sempre os contribuintes estão preparados para ser bem tratados, mas ele usa seu jogo de cintura e muita paciência, pois sabe que quem vem até aqui é porque precisa resolver um problema.

 

Há três anos na função, herdou a habilidade de seu pai – também Bertúlio – que dedicou 32 anos de sua vida ao serviço público na Prefeitura e inclusive já comandou os elevadores do Alencastro.

 

Fonte: Raquel Mutzenberg

Fotos: Emanuelle Rigoni

 

 

 

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